By Gustave Doré (1832–1883) Héliodore-Joseph Pisan (assistant, 1822-1890) [Public domain], via Wikimedia Commons

Gustave Doré (1832–1883), Héliodore-Joseph Pisan (assistant, 1822-1890) [Public domain]

 

 

“I like nonsense, it wakes up the brain cells. Fantasy is a necessary ingredient in living, it’s a way of looking at life through the wrong end of a telescope. Which is what I do, and that enables you to laugh at life’s realities.”

Dr. Seuss
Autor e ilustrador americano (1904-1991)

(“Eu gosto do absurdo, ele acorda as células do cérebro. Fantasia é um ingrediente necessário na vida, é uma maneira de olhar a vida pelo lado errado de um telescópio. Que é o que eu faço, e isso lhe permite rir das realidades da vida.”)

Desde quando se têm civilizações se tem a ficção. Essa pode aparecer tanto nas mitologias da Grécia antiga, como pelos filmes de ficção científica do século XXI, e por maiores alterações que sofra, sempre manterá sua principal premissa: a imaginação e o paralelo com a realidade. A busca por entender tal premissa acompanha a busca para se revelar por que este estilo literário é tão trabalhado e adorado diante de diversos anos e gerações.

Por Julia Porfirio Leite


Muitos estudiosos da literatura, filosofia e diversas outras áreas buscam explicar a importância da ficção para a humanidade. Alguns argumentam que o desuso da imaginação, do irreal, poderia prejudicar a saúde física e mental de um indivíduo, ou seja, a prática do imaginário poderia chegar a melhorar sua qualidade de vida. Dr. Seuss ficou conhecido graças a seus versos absurdos e divertidos, presentes em livros como Horton Hears a Who, Green Eggs and Ham ou The Cat in the Hat, livros cheios de criaturas insanas e situações ridículas. Seuss louva o absurdo como um estímulo ao pensamento, justificando que a fantasia e a capacidade de ver e rir de absurdos da vida também melhorariam a qualidade de vida de uma pessoa; o insano, o sem-sentido a ajudaria a passar pela vida com um senso de humor e uma imaginação vívida.

A ficção pode ser entendida como tudo o que não é real (toda história fictícia) como definido por Antônio Cândido em sua obra O direito à literatura, na qual o autor trata da significância da ficção para qualquer indivíduo, sendo assim um direito fundamental para a formação própria de cada um. Ficção seria “Todas as criações de toque poético, ficcional ou dramático em todos os níveis de uma sociedade, em todos os tipos de cultura, desde o que chamamos folclore, lenda, chiste, até as formas mais complexas e difíceis da produção escrita das grandes civilizações.”. Cândido trata em sua obra, e nessa definição, apenas da ficção na literatura, ocultando as outras mídias como o cinema ou a televisão, no entanto, a ficção pode abranger todos esses âmbitos.

A ficção é vista como importante pela maioria dos estudiosos, e pelos meros apreciadores, pelo simples fato de ela ser tão distante da realidade. Dessa forma, fica claro que a ficção pode ser encarada como uma forma de escape da rotineira realidade, podendo levar o leitor a mundos impossíveis. O autor americano Edgar Lawrence exemplifica: “Você vai experimentar o amor, se assim o desejar, ou fome, ou se afogar ou cair através do espaço ou segurar uma pistola quente em sua mão com a polícia batendo na porta”, se referindo aos diferentes cenários não usuais que uma pessoa experimenta ao se imergir na ficção.

O estudo do futuro, do passado e de outras realidades pode até buscar explicar como o mundo pode vir a ser, foi, ou poderia ser, porém somente a ficção pode de fato nos mostrar como seria viver nestes mundos, nos inserindo em uma realidade totalmente diferente da nossa cotidiana.

A premiada autora americana Barbara Shoup explica que ficção é a única maneira de estarmos na mente de outras pessoas. Para Shoup, o que dizemos e fazemos é uma parte muito pequena de quem somos, o que pensamos é muito mais importante, e a ficção é um dos únicos meios de entrarmos totalmente na realidade de outra pessoa. Somente vendo como outros realmente são que podemos refletir sobre nós. Para a autora, a ficção não nos permite só visitar outros cenários, outras realidades, mas também visitar outros indivíduos, coisa incabível no mundo real. Shoup explica que e em livros podemos ver tanto a parte externa quanto a interna de um personagem, portanto, a leitura faz de nós seres humanos melhores, nos faz mais compreensivos, curiosos. Ela argumenta que toda vez que lemos um bom livro, com personagens complexos que acabam por se transformar em seres humanos melhores, nós mesmos nos tornamos melhores, aprendemos com erros que não são nem nossos.

Os filmes, videogames e romances que conhecemos como principais fontes de ficção hoje em dia só puderam existir graças a escritores da antiguidade e autores que escreviam com sua imaginação, antes mesmo do termo ficção existir. O autor americano John Green marca o início do que conhecemos como ficção no momento em que a sociedade parou de contar histórias, passando a escrevê-las. Bem antes da chamada civilização as pessoas contavam histórias, mesmo que não fossem totalmente fictícias essas eram baseadas em alguma forma de ficção, Green explica.

Até os meados do século 12, em um período conhecido como Alta Idade Média, os livros eram cercados por grave seriedade. A pessoa comum só tinha contato com livros na igreja, onde o padre lia a Bíblia por exemplo. Devido a isso, a palavra escrita era geralmente associada com a verdade. Esta relação quase de idolatria com livros começou a mudar gradualmente no final do século 12, e continua a mudar desde então.

Atualmente é simples distanciar a ficção da realidade, estamos perfeitamente conscientes de que ficção é baseada fundamentalmente na imaginação. Sabemos muito bem que personagens como Tom Sawyer não são reais, e que Sherlock Holmes e Dr. Watson na verdade nunca resolveram crimes. No entanto, se esses livros fossem publicados na Idade Média, os seus leitores teriam pensado que as histórias sobre Sawyer, Holmes e Watson eram reais, simplesmente pelo fato de que havia livros sobre eles. “Na Idade Média, os livros eram vistos como exclusivos e oficiais. As pessoas automaticamente assumiam que tudo o que foi escrito em um livro tinha de ser verdade”, diz o professor Lars Boje Mortensen, do Instituto de História e Civilização da Universidade do Sul da Dinamarca.

Sendo assim, é importante analisar que a ficção é de certa forma subjetiva, o que for fictício para um pode não ser para outro. O que hoje é obviamente obra da criatividade, antigamente poderia ser encarado como a verdade. Portanto, ao considerar os impactos e repercussões de uma obra de ficção sobre um indivíduo ou um grupo, é importante levar em conta a forma com que cada um encara o que está lendo ou assistindo. Além disso, a realidade pode ser encarada como relativa, já que não há verdade absoluta, sempre há diferentes versões de um acontecimento. A imparcialidade é meramente um conceito teórico, não prático.

Hoje em dia, a ficção é mantida separada da não-ficção. Mesmo quando buscamos livros com premissas ou assuntos semelhantes, esperamos diferentes resultados dependendo se buscamos ficção ou não. Por exemplo, ao buscar um livro sobre o espaço poderíamos esperar uma ficção científica narrando histórias de alienígenas dominando planetas, ou podemos esperar um livro científico, relatando fatos didáticos sobre o mesmo ambiente.

Ao encarar um livro de ficção atualmente, o leitor não vê os fatos como realidade, mas mergulha naquele mundo e os trata como verdade para aquela situação. Isso é devido a um acordo, um contrato invisível de certa forma, entre o autor e o leitor, que o permitirá aproveitar o livro mesmo que distante de seu cotidiano realista, “Um contrato que diz: ‘isto é só faz-de-conta'”, disse o professor Mortensen, “o super-herói não existe na realidade, mas que vamos fingir que sim durante o filme”.

Este “contrato invisível” entre escritores de ficção e seus leitores apareceu pela primeira vez na Idade Média. Historiadores contam que tudo começou algumas centenas de anos após a morte de Jesus, quando se tornou comum a prática de pensar em continuações para os eventos da Bíblia, já que os cristãos da Idade Média e Antiguidade não sentiam que a Bíblia lhes fornecia todas as respostas que eles estavam procurando. O grande livro oferece uma série de informações sobre a vida de Jesus, mas também há lacunas nas descrições. Em outras palavras, eles usaram a imaginação para preencher tais lacunas.

A Bíblia não foi o único livro a receber reformas imaginativas e extensões. Nos séculos que se seguiram, relatos históricos foram complementados com um pouco de imaginação. No entanto, como o “contrato da ficção” entre leitores e escritores ainda não era claro, as pessoas assumiam que as descrições que encontravam nos livros eram verdadeiras. Essas extensões foram de fato recebidas como um fato histórico, já que não havia nenhuma linha clara entre ficção e não-ficção no momento.

Conforme o tempo passava, o número de histórias usadas como essa extensão aumentavam. “No decorrer da Idade Média, as histórias complementares foram reescritas tantas vezes que as pessoas finalmente perceberam que elas eram apenas contos de imaginação e fingimento. Os exemplos mais extremos seriam os relatos históricos da vida de Alexandre, o Grande”, explica Mortensen.

Dessa forma, as pessoas gradualmente se acostumaram com o fato de que os livros também poderiam ser uma forma de entretenimento, e que eles não necessariamente diziam a verdade sempre.

O estudioso Niels Ebdrup acredita que a primeira obra devidamente de ficção foi escrita na década de 1170 pelo francês Chrétien de Troyes. O livro, uma história sobre o Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda, tornou-se imensamente popular até os dias de hoje. No entanto, várias centenas de anos se passaram antes que o “contrato da ficção” viesse a se tornar uma parte totalmente integrada da cultura literária. Não foi senão no século XIX que se tornou comum a prática de dividir a literatura em ficção e não-ficção, explica Ebdrup.

É possível argumentar que um pouco da fé cega medieval na credibilidade do livro ainda permanece hoje. Podemos observar que pessoas querem que ficção seja real, buscando explicações e interpretações que fariam esta caber em nosso universo. Isto seria o extremo da tentativa de fugir do mundo cotidiano, do escape da realidade: tornar a ficção real, dessa forma o mundo seria menos mundano, e não seria preciso fugir dele.

O importante papel que a ficção desempenha em nossa sociedade vai além das influências psicológicas em cada um de nós, podendo chegar a influências materiais e tecnológicas. A ficção científica é um ramo que exerce grande papel nestas inovações tecnológicas.

Luli Radfahrer, professor-doutor de Comunicação Digital da ECA, exemplifica: “Os inventores do submarino e do helicóptero confessam a importância da obra de Júlio Verne em seus protótipos. Os livros de H.G. Wells têm influência direta na invenção do foguete, no alerta quanto ao risco de bombas atômicas e no uso pacífico da energia nuclear. Em tempos mais recentes, poucas obras foram tão marcantes quanto a série de TV ‘Jornada nas Estrelas’ (…) [ela] mostrou monitores de computador em quartos e salas de reunião, fones de ouvido sem fio, telas planas de grandes dimensões e alta definição, videofone, interfaces sensíveis ao toque e sensores de biometria diversos, capazes de reconhecer vozes e identificar palmas da mão e retinas.”

As obras de ficção são muitas vezes utilizadas como inspiração para o desenvolvimento de novos produtos. O autor Júlio Verne defendia que o que pode ser imaginado pode ser inventado. Para Martin Cooper, diretor de pesquisa da Motorola, a ficção não mostrava uma fantasia, mas um objetivo.

A ficção, muitas vezes, busca métodos alternativos para os rumos da humanidade. Sendo assim, as histórias fictícias conseguem, claramente, abrir a mente das pessoas cada vez mais, e podem, desta maneira, mudar a forma como alguém age ou como interpreta o mundo, levando até a uma eventual mudança de princípios, dependendo do impacto de uma obra sobre alguém.

Antônio Cândido no livro anteriormente mencionado (O direito à literatura) expressa claramente sua opinião, dizendo que não há quem possa viver sem a ficção, nem que seja pelos sonhos durante a noite, ou o devaneio ao longo do dia. Desta forma, Cândido escreve: “Ora, se ninguém pode passar vinte e quatro horas sem mergulhar no universo da ficção e da poesia, a literatura concebida no sentido amplo a que me referi parece corresponder a uma necessidade universal, que precisa ser satisfeita e cuja satisfação constitui um direito”. A literatura, em seu sentido amplo de toda obra fictícia, seria vital para o equilíbrio psíquico das civilizações, ou seja, o equilíbrio social das mesmas e até dos indivíduos em uma perspectiva mais subjetiva, microssociológica.

Cândido argumenta que a literatura é um reflexo dos princípios de cada sociedade e, desta forma, há dois lados da literatura, já que “os valores que a sociedade preconiza, ou os que considera prejudiciais, estão presentes nas diversas manifestações da ficção, da poesia e da ação dramática. (…) Por isso, nas mãos do leitor o livro pode ser fator de perturbação e mesmo de risco. Daí a ambivalência da sociedade em face dele, suscitando por vezes condenações violentas quando ele veicula noções ou oferece sugestões que a visão convencional gostaria de proscrever. No âmbito da instrução escolar o livro chega a gerar conflitos, porque o seu efeito transcende as normas estabelecidas”. Mas esses fatores só mostram que a literatura humaniza, ressaltando o bom subjetivo e o mau subjetivo, “humaniza, porque faz viver”.

Cândido passa então a destrinchar a complexidade da literatura, separando-a em três faces: “(1) ela é uma construção de objetos autônomos como estrutura e significado; (2) ela é uma forma de expressão, isto é, manifesta emoções e a visão do mundo dos indivíduos e dos grupos; (3) ela é uma forma de conhecimento, inclusive como incorporação difusa e inconsciente”. A primeira face se remete à forma como o texto é escrito e organizado. Segundo o autor esta face seria crucial e a mais complexa de se entender, já que “Este é o primeiro nível humanizador, ao contrário do que geralmente se pensa. A organização da palavra comunica-se ao nosso espírito e o leva, primeiro, a se organizar; em seguida, a organizar o mundo”. A forma é tão importante quanto o conteúdo, a partir do momento em que o conteúdo só atua por meio da forma. A forma permite que o conteúdo ganhe maior significado, intensificando nossa capacidade de se ligar com o texto, e ver e sentir o que o autor queria que víssemos e sentíssemos.

A literatura é um direito de todos, a partir do momento em que “Em todos esses casos ocorre humanização e enriquecimento, da personalidade e do grupo, por meio de conhecimento oriundo da expressão submetida a uma ordem redentora da confusão”. Cândido explica que entende por humanização o processo pelo o qual as características dos seres humanos (o que os distingue de outros seres) são intensificadas, e a literatura cuida desta intensificação, nos tornando mais compreensivos e abertos perante os outros, a natureza e a sociedade.

Cândido fecha o texto explicando que a luta pelos direitos humanos abrange a luta pela unificação da literatura, a quebra do padrão “cultura popular” e “cultura erudita”, que é o que transformaria a sociedade em dois âmbitos incomunicáveis. Portanto a absorção da arte e literatura por todos é um direito em todos os níveis e modalidades.

A ficção se trata do uso de mentiras para dizer a verdade sobre algo. Toda história tem um elemento de ficção, mesmo que seja não-ficção. Um personagem não-fictício é retratado de uma forma para que apenas as coisas que são importantes para a história sejam ressaltadas. Isso retoma a discussão da relatividade da verdade, na qual cada um interpreta um fato de sua forma, tornando cada interpretação diferente, mas não menos verdade. Os autores de não-ficção optam por destacar certos elementos de um acontecimento que talvez outro autor não ressaltasse, o que acaba por aproximar a não-ficção da ficção.

Os personagens da ficção são pessoas falsas e eventos falsos, mas isso não os impede de trazerem questões reais. Por serem fundamentalmente baseados na realidade, é imprescindível que tragam a tona questionamentos que se remetem a situações que poderíamos presenciar. A questão mais levantada pela ficção seria “Que tipo de pessoa sou eu?”, já que refletimos sobre isso quase todas as vezes que o personagem sobre o qual estamos lendo se encontra em uma situação decisiva. Pensamos “Se isso acontecesse agora, como é que eu, como pessoa, contribuiria/atuaria para o evento?”, e assim refletimos sobre nossos próprios princípios e prioridades.

É evidente, a não-ficção pode trazer à tona tantos questionamentos quanto estes, mas a ficção tem sido uma parte da narrativa desde o início da humanidade. Inventando deuses e criando relações entre deuses e humanos, inventando heróis que representam o estereótipo de todas as coisas desejáveis ​​de um ser humano, inventando vilões que representam tudo indesejável, inventando situações que nunca poderiam acontecer. Os acontecimentos dessa forma podem ser exagerados, nos levando a criar respostas e questões de uma profunda reflexão, sem necessitar se atrelar à realidade.

Se estivermos considerando estas situações fictícias que nos levam a reflexões reais, não é claro que deveríamos levar em conta os cenários hipotéticos, as metáforas de certo modo, e o simbolismo? Estes seriam a criação de uma situação fictícia, uma situação que pode até ser improvável, mas possível, para assim refletir sobre uma questão maior que se espelha em tal situação hipotética.

Podemos analisar a importância da ficção em diversos âmbitos, mas sempre chegaremos à conclusão de que ela é vital. A ficção não só está presente em nosso cotidiano como ela é inevitável, desde que seja sonhando ou em um simples devaneio. Desenvolvendo cada vez mais esta área da literatura e do cinema desenvolvemos cada vez mais nossas mentes. Desenvolvemos cada vez mais nossa habilidade de coexistir e acolher o outro, além de desenvolvermos nosso senso crítico sobre nós mesmos, nossos princípios e prioridades. É preciso que a ficção seja aceita como essencial e que seja, eventualmente, desenvolvida em nosso imaginário, não somente pelos profissionais, mas por cada um de nós, em nosso tempo livre de ócio e reflexão.

 

Bibliografia:

  • CÂNDIDO, A. O Direito À Literatura
  • DOCTOROW, E. L. Literary Cavalcade, The Importance of Fiction. Disponível em http://goo.gl/MKUY0G
  • EBDRUP, N. Página pessoal. The Origin of Fiction. 12 setembro, 2012. Disponível em http://goo.gl/gdd8dW
  • POWELL, G. Página pessoal. The Role Of Science Fiction In Our Understanding Of The Future. 10 setembro, 2009. Disponível em http://goo.gl/tfDr9a
  • RADFAHRER, L. A importância da ficção científica. Folha de S. Paulo, São Paulo, 29 abril, 2013. Disponível em http://goo.gl/wwlDnZ
  • http://www.youtube.com/watch?v=G0_u7mNIUps

 

            Julia Porfirio Leite nasceu em São Paulo, Brasil. Recentemente formada no ensino médio, ela está se preparando para ingressar na ECA (Escola de Comunicação e Arte), em audiovisual, com foco na arte da animação.