This article makes reference to the figureheads, sculptures in wood, used in the boats of the submedium São Francisco River since the late nineteenth century; their representative evolution as Brazilian popular art and mythical meanings; its appropriation by advertising language and the media as icon / symbol of the region and its cultural and commercial importance to the craftwork.*

Text by Elisabet Gonçalves Moreira

A palavra carranca significa basicamente cara feia ou disforme e como carrancas ficaram conhecidas as figuras de proa ou cabeças de proa das barcas utilizadas na região do médio rio São Francisco, esculturas em madeira de lei colocadas nas proas das embarcações, no final do século XIX até os meados do século XX. Desapareceram, substituídas por outros modelos de barcas, mais leves, e também por vapores que faziam o tráfego ribeirinho, transportando gente e carga, do porto de Juazeiro, Bahia, a Pirapora, Minas Gerais e vice-versa.

As carrancas hoje, do século XXI, principalmente nestas duas cidades, aparecem em produção comercial como artesanato típico, divulgadas como símbolo da região, importante polo de desenvolvimento na região Nordeste. As carrancas da região são ligeiramente diferentes das carrancas que aparecem em Minas Gerais e muito mais das figuras de proa que lhes deram origem, dominando o modelo carranca-vampiro, nos mais diferentes tamanhos e materiais, fácil de ser feita, segundo os artesãos locais.

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Carranca original de barca da autoria de Francisco Biquiba de La Fuente Guarany (1882-1987) no acervo do Museu do Sertão, de Petrolina, PE. (Foto da autora)

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Modelo “carranca vampiro” vendida atualmente em loja de artesanato em Petrolina, PE. (Foto da autora)

Na história da navegação, as figuras de proa estiveram e ainda estão presentes em todo agrupamento humano que tenha alguma ligação com a água, seja o rio ou o mar. Assim, a presença de ornamentos ou figuras de proa é antiquíssima, com certas características universais desta arte. Os registros mais conhecidos referem-se aos barcos de guerra vickings, cujas figuras tinham a função fundamental de atemorizar o inimigo, representando animais fantásticos, como dragões e serpentes.

Há que se destacar dois pontos básicos em qualquer menção sobre as carrancas do sertão, relacionadas a um espaço simbólico sobre as águas do rio São Francisco em terras semiáridas. As figuras de proa das barcas do rio São Francisco são consideradas como arte popular brasileira e assim foram legitimadas.  Outro fato é a sua originalidade: não existe, no mundo todo, um similar como as carrancas fluviais brasileiras, de feitio zooantropomorfo, cabeças de proa esculpidas numa mistura criativa de gente e animal.

Seu poder simbólico, arraigado na visão do ribeirinho, espantava não só os monstros e perigos da navegação pelo rio, como agora, protege também casas e jardins, sincretizado como uma espécie de Exu doméstico. Daí porque, quanto mais feia, mais poderosa ela é, daí sua oscilação entre o artístico e o comércio em larga escala. Sabedoria popular compartilhada, como representação social que lhe confere sentido e, portanto, legitimidade. O modelo carranca-vampiro seguiu por esta linha, tornando-se cada vez mais medonha, com uma boca escancarada, grandes dentes, olhos esbugalhados.

O Instituto Moreira Salles montou uma significativa exposição no segundo semestre de 2015, primeiramente na Pinacoteca do Estado de São Paulo e depois na sede do Instituto no Rio de Janeiro, arrematada por um livro essencial, A viagem das carrancas. A exposição conseguiu reunir figuras de proa originais, de grandes mestres como Afrânio e Guarany, entre outros. Ressalta-se a publicação na revista O Cruzeiro, em 1947, dos registros fotográficos de Marcel Gautherot com as barcas e carrancas do rio São Francisco quando estas esculturas de origem popular adquiriram divulgação nacional e foram objeto de estudo e de referências, continuando a desafiar olhares e registros. Ver os diapositivos de Gautherot é um privilégio e hoje este material faz parte do acervo do Instituto.

A carranca também é vista como um objeto de estudo do Folclore, aqui revisitado em seu conceito, concomitante ao de cultura popular. Luiz Beltrão nos alertara, “o discurso folclórico, em toda a sua complexidade, não abrange apenas a palavra, mas também meios comportamentais e expressões não-verbais e até mitos e ritos que, vindos de um passado longínquo, assumem significados novos e atuais, graças à dinâmica da folkcomunicação. ” (In Encontro Cultural de Laranjeiras 20 anos, p. 43). Folkcomunicação que procura estabelecer a relação entre as manifestações da cultura popular e a comunicação de massa, evidenciada pela sociedade multimídia e consumista em que vivemos.

As carrancas foram minuciosamente estudadas e descritas por Paulo Pardal, ex-professor da Escola de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), falecido em 2004, cujo trabalho sempre foi referência obrigatória sobre este assunto: Carrancas do São Francisco. Uma terceira edição foi lançada em 2006, pela Editora Martins Fontes. Existe também um resumo deste livro, com o mesmo título, na coleção Cadernos do Folclore, número 29, editado pela Funarte, em 1979. E, não há dúvida, os trabalhos de Paulo Pardal muito ajudaram na divulgação e na consideração da importância das carrancas como arte popular brasileira.

            Feitas originariamente em madeira-de-lei, o escultor se guiava mais por sua inspiração e pelas condições do tronco em que trabalhava. Dentre os escultores conhecidos destas carrancas originais, destaca-se, pela produção e qualidade, o escultor Guarany, Francisco Biquiba Dy Lafuente Guarany, descendente de um padre espanhol, de negros e de índios, nascido em Santa Maria da Vitória, na Bahia, em 1882, falecido com mais de 100 anos. Paulo Pardal colecionou e estudou sua obra cuidadosamente, dividindo-a em três fases, com base no elemento plástico mais característico: “o tratamento que dispensa à cabeleira das carrancas, espessa ou em relevo acentuado, abundante, cobrindo quase todo o pescoço.”

            As barcas da época usavam remos manejados por homens, um trabalho difícil e desgastante, que ficou na memória de muitos ribeirinhos. Segundo a tradição, ao se ouvir um gemido da carranca, imediatamente os remeiros tratavam de encostar as embarcações e salvar o que fosse possível, pois ao segundo ou terceiro e último gemido da carranca, o naufrágio era inevitável. No imaginário dos ribeirinhos, ainda se contam muitas histórias das assombrações do rio, especialmente o Nego-d ’Água e o Minhocão. Daí a feiúra das carrancas: serviam como amuleto, espantando o perigo. Paulo Pardal, no entanto, faz restrições a essa generalização da imagem da carranca como protetora da barca, principalmente das primeiras, cujos motivos para sua utilização teriam sido os de prestígio e indicação de propriedade, por imitação de figuras de proa antropomorfas, vistas por algum fazendeiro (ou antes algum comerciante) do São Francisco, em navios aportados no Rio de Janeiro ou Salvador. A interpretação mística só teria vindo depois desta imitação primeira.

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Barcas ancoradas em Juazeiro Bahia, com carrancas de Guarany, na enchente do rio São Francisco em 1929. (Foto sem autoria, de propriedade da autora)

Paulo Pardal destacou a força arquetípica do símbolo fálico no formato das carrancas do São Francisco e seu caráter apotropaico[1]. Realmente, muito das interpretações das carrancas pode ser visto por estes caminhos, mesmo quando desviadas de sua função originária, como é o caso atual.

            Terminado o ciclo das barcas, já na década de 40, as carrancas perderam sua função na proa das embarcações, quando foram substituídas por outros modelos ou por novas tecnologias, embora algumas tenham subsistido ainda nos anos 50. O ressurgimento das carrancas se deu paulatinamente, como objeto decorativo, no comércio do artesanato, ou como ícone representativo da região, assegurando-se nos anos 70 com todo vigor.

CARRANCAS PARA CONSUMO

Morando na região do submédio São Francisco há quarenta anos, tenho acompanhado o “boom” do comércio das carrancas como símbolo da região, comercializadas em larga escala nas lojas de artesanato, em diversos tamanhos, feitas de umburana, madeira leve e abundante na região, hoje mais escassa, raramente em pedra ou argila. Aparecem ainda em camisetas, chaveiros, canetas, ornamentos de carro, cinzeiros, vasos de argila, no chamado “artesanato de lembranças”. O acesso do público é diferente: não mais a contemplação restrita em museus, praças ou coleções particulares das originais carrancas das barcas. Para consumo das massas, praticamente em qualquer rodoviária ou feiras de artesanato, pode-se adquirir carrancas ou um adereço que as têm como motivo, com o modelo “vampiro” dominante.

Qual seria, portanto, o sentido de pertencimento que respalda a carranca, utilizada como símbolo da região? A história em seus meandros, como memória de um passado idealizado em mais representações de sentido, é uma justificativa para dar esse respaldo. Funda-se uma tradição que implica uma teia de interesses coletivos e significados individuais, a partir de um conceito básico, generalizado.

Vejam-se alguns exemplos dessa apropriação nas fotos. Evidentemente que uma leitura sígnica detalhada de cada uma em particular mostraria o complexo em que se insere o consumo atual desta referência.  As subjetividades do design, da mensagem sub-reptícia, dos meandros ideológicos de seu uso em diferentes processos comunicativos mostram a dinâmica dessa escolha.

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Registros de usos da carranca como símbolo da região, de eventos e campanhas publicitárias.

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“Orelhão” de telefone público ainda disponível em alguns lugares da cidade, como no aeroporto de Petrolina.

Portanto, temos um novo direcionamento para o signo carranca, funcionando também como alegoria, como ilustração visual. Claro que, por trás, está a simbolização de um lugar, mas o que interessa agora é, sobretudo, a referência icônica. A representação da carranca, vista como um estereótipo, foi assimilada pelo senso comum.

            Aspectos da Folkcomunicação, aqui referida no início deste trabalho, ficam evidenciados ao se mostrar a mediação do uso de um ícone da tradição popular não somente como objeto de relações públicas, mas também como ele é veiculado pelos meios de comunicação de massa, que fazem uso dessa imagem. Interessante observar que há uma tentativa de substituir este símbolo por outros aspectos do agronegócio da fruticultura da região, produtos considerados exóticos como os vinhedos e a produção de vinhos. Mas a carranca resiste e, neste ano de 2016, a novela “Velho Chico”, da rede Globo, reforça o arquétipo.

Vale registrar que a produção da novela encomendou carrancas aos artesãos da Oficina do Artesão de Petrolina e escolheu duas para compor o cenário. As carrancas escolhidas seguiam o modelo tido como original, de Guarany.

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Ator da novela “Velho Chico” da rede Globo, como um artesão de carrancas. (Trecho da novela)

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 José Nildo Silva finalizando a carranca (foto de Lizandra Martins).

José Nildo Silva, artesão de carrancas, fez também recentemente uma série de carrancas “segundo o modelo Guarany”, a pedido de um “colecionador” do Rio de Janeiro. Encomendas desse tipo acontecem vez em quando. Uso próprio ou para o mercado de arte? Autoria reconhecida ou carrancas comercializadas como fraude? Suposições que considero pertinentes pois os artesãos sempre foram explorados por atravessadores neste comércio,

Para um conhecedor, mesmo uma réplica atual, sem dúvidas, agrega mais valor do que a carranca vampiro, hoje tão banalizada. O interessante é pensar nesta ressignificação da réplica, com algum alcance de originalidade. Afinal, feita por um artesão popular, de madeira, nas margens do rio São Francisco, obtém-se um rescaldo, ainda que ilusório, de justificativa da representação encomendada e comprada.

Há de se compreender a dinâmica desta perda e consequentes mudanças sob outras perspectivas, em que se amalgamam conotações e intenções, dentro do funcionamento social. “No sincretismo exprime-se o fim da lamentação pela perda da origem, da identidade fixa, da memória restauradora”, assinala Canevacci (1996, p. 10).

Parece-nos conveniente, nesta abordagem, tocar também na questão do “kitsch” e o artesanato popular. Ao se classificar como “kitsch” a maioria dos objetos produzidos pelo artesanato popular e destinada ao comércio de grande escala, levanta-se uma polêmica: os limites entre arte e artesanato são às vezes tênues e discutíveis, tanto que muitas lojas se colocam como “morada da arte” ou similar. O processo de apropriação do estatuto e referencial do artístico é, nestes casos, mais uma estratégia de marketing para o comerciante ou “ingenuidade”, relativa no caso de alguns artistas, embora muitos deles sejam bem críticos e pouco condescendentes sobre algumas peças ou o trabalho de colegas. Para a maioria dos artesãos, o que conta mesmo é o valor do retorno ou a sobrevivência através deste trabalho.

                  Mas, para o público consumidor, o estereótipo funciona bem. Quanto mais horrenda é a carranca em sua expressão, mais ela é considerada, porque, simbolicamente, seria mais “poderosa”. Inclusive, tivemos oportunidade de ouvir, várias vezes, consumidores em lojas de artesanato, escolhendo carrancas e achando-as lindas, comparando umas com as outras. Afinal, a própria arte há muito perdeu a sua aura única nestes tempos de reprodutibilidade e de acesso massificado.

Na correlação entre produção e consumo, o kitsch pode representar uma função mediadora, como fator de ampliação do auditório e vontade de um repertório mais amplo. Insistimos, saber colocar-se dentro deste olhar é tentar compreender também a dinâmica social e o ponto de vista do outro, no caso de uma classe social geralmente de baixo poder aquisitivo e pouco acesso a bens da cultura erudita.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Já se percebe, portanto, que as carrancas do São Francisco, contemporaneamente, têm outra função, a sociedade não é mais a mesma, as relações de produção e consumo são determinadas agora por fatores relevantes como a publicidade e o turismo emergente. As massas consumistas de hoje apreciam o objeto também pela referência de um status que lhe é conferido. Há o consumidor elitista, que encomenda para um artesão de maior qualidade uma réplica das carrancas originais, até o receptor comum que procura uma “lembrancinha” de sua viagem e que não lhe pese muito, nem no bolso nem na bolsa…

            A qualidade parece lhe importar muito pouco. O referencial é outro e a aquisição deste “bem turístico”, exótico ou curioso, lhe faz bem.  O significado da aquisição deste objeto de consumo tem diversas conotações, bem mais complexas.  Ele não se restringe a esta motivação desencadeadora, mas também a outros componentes que lhe são passados e interiorizados.

            Já se observou que este consumo se dá na exploração capitalista dos desejos, da fantasia. Qualquer possível sentimento de culpa por esse consumismo desenfreado pode ser anulado pelo outro lado, por uma justificativa de um significado simbólico, neste caso das carrancas, do poder do amuleto, de que elas possuem também poderes mágicos, espantando maus-olhados e, portanto, atraindo boa sorte, o que quer dizer geralmente dinheiro, abundância. E mais consumo. Esta aparente ambivalência faz parte de um jogo de sincretismo cultural, em que o lúdico está representado até no próprio ato de consumir e expor um objeto adquirido em condições especiais, cuja utilidade está camuflada nos vários significados sociais.

Convivendo com processos de “culturalização” como esse, de produção acelerada de signos, de materiais semióticos a nos envolverem, somos obrigados a refletir no que isso significa em termos de identidade, de valor espiritual e ético. Hoje, não se tem mais qualquer possibilidade de um conceito romântico ou simplista de cultura. Como nos adverte Muniz Sodré: “Aí se revela o significado da disjunção radical entre produção e consumo: o consumidor perde definitivamente o acesso à originalidade da produção, o sujeito interessa num universo indiferenciado, compensado por simulações de diferenciação. ” (SODRÉ, 1983, p.87).

            Para o pesquisador, não dá mais para ser só descritivista, é preciso penetrar no conjunto polifônico das manifestações culturais e do funcionamento social, alargando horizontes interdisciplinares. Neste caso, lembrar dos interstícios da arte, do popular e do erudito, do seu consumo massivo, na conjunção contemporânea de uma realidade onde tudo é provisório.

Elisabet Gonçalves Moreira é Mestre em Teoria Literária e Literatura Comparada pela Universidade de São Paulo, professora aposentada da UPE – Universidade de Pernambuco e do Instituto Federal Sertão de Petrolina. Faz pesquisas em literatura e cultura popular.

*Este artigo baseia-se essencialmente no livro homônimo de Elisabet Gonçalves Moreira Carrancas do Sertão Signos de ontem e de hoje, de 2006, e em textos e observações posteriores, produtos de uma pesquisa que se desenrola há quatro décadas nas margens do rio São Francisco, em Petrolina, onde mora a autora.

[1] Do grego Apotropaios (que afugenta os males) (Dicionário Caldas Aulete).

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